Jornada mediúnica: os oito graus de desenvolvimento da Tenda de Umbanda Cigana Sarita, representados pelas cores branco, amarelo, laranja, verde, azul, marrom, vermelho e azul-claro, com atabaques, vela e folhagens.

Os graus mediúnicos da Tenda de Umbanda Cigana Sarita foram criados para ajudar os filhos da casa em seu desenvolvimento. Não são títulos para alimentar a vaidade, estabelecer superioridade ou fazer alguém se sentir mais importante que os demais. São uma orientação para que cada médium compreenda onde está em sua caminhada, quais são suas responsabilidades e o que precisa desenvolver e aprender para dar o próximo passo evolutivo.

O desenvolvimento mediúnico caminha junto com o equilíbrio e o desenvolvimento pessoal. Aprender a trabalhar com os guias envolve também olhar para si, reconhecer dificuldades, receber orientações e amadurecer a maneira de agir e de se relacionar com as pessoas, dentro e fora do terreiro.

Por isso, cada filho deve usar os graus como referência para o próprio aprendizado. A pergunta que deve orientar essa caminhada é: “O que preciso aprender, equilibrar e amadurecer para assumir a próxima responsabilidade?”

Na TUCS, esse percurso está organizado em oito graus. Cada etapa apresenta as atividades que o médium pode realizar, seus limites de atuação e o foco de desenvolvimento para seguir adiante.

Os nomes, as cores e as atribuições apresentados aqui fazem parte da organização interna da TUCS. Outras casas de Umbanda podem adotar formas diferentes de organizar seu desenvolvimento.

O que é observado em todos os graus

O acompanhamento do médium considera sua participação na vida do terreiro como um todo. Nas giras, observamos sua postura e seu empenho desde o momento em que chega até o momento em que sai, incluindo a preparação, os trabalhos e os cuidados ao final das atividades.

Também fazem parte dessa avaliação:

  • A participação e o empenho nos atendimentos e nas consultas realizados fora das giras, respeitando as atribuições de cada grau.
  • A colaboração no dia de função, dedicado à limpeza e à organização do terreiro.
  • A participação nos dias de desenvolvimento mediúnico.
  • A atenção aos trabalhos e às orientações recebidas.
  • As perguntas feitas para compreender os fundamentos e esclarecer dúvidas.
  • O compromisso com as funções e as tarefas assumidas.
  • A evolução pessoal e a busca de equilíbrio dentro e fora do terreiro.

Essas atitudes do dia a dia mostram como o filho está construindo sua caminhada. A maneira de auxiliar, ouvir, aprender e assumir responsabilidades faz parte do desenvolvimento tanto quanto a prática da incorporação.

O equilíbrio pessoal é um trabalho permanente em todos os graus. Avançar significa também reconhecer os próprios defeitos e dificuldades e se empenhar em transformá-los.

A importância do cambone na formação do médium

O cambone tem uma função essencial no terreiro: auxilia os guias, os médiuns e a assistência, contribuindo para a organização e o cuidado durante os trabalhos. Ao acompanhar os atendimentos, aprende a observar, escutar e compreender a maneira como as entidades trabalham.

Essa função exige atenção, discrição, responsabilidade e respeito. O compromisso com a casa, o acolhimento sem julgamentos, o sigilo sobre os atendimentos e a disposição para procurar os responsáveis quando surgem dúvidas fazem parte desse aprendizado.

Na caminhada proposta pela TUCS, passar por essa experiência ajuda o filho a desenvolver qualidades que serão necessárias em todas as etapas:

  • Atenção: acompanhar o trabalho e perceber quando sua ajuda é necessária.
  • Escuta: compreender as orientações e perguntar quando não entender.
  • Discrição: respeitar a intimidade de quem procura atendimento.
  • Responsabilidade: cuidar da função assumida e colaborar com o andamento da gira.
  • Humildade: aprender com os guias e com os demais trabalhadores.
  • Equilíbrio: manter uma postura cuidadosa diante das situações acompanhadas.

O período como cambone merece dedicação. É uma oportunidade de conhecer o funcionamento da casa e amadurecer a forma de servir antes de assumir outras responsabilidades.

Cambonar já é participar ativamente do trabalho espiritual e do próprio desenvolvimento. Essa contribuição permanece valiosa ao longo de toda a jornada, inclusive quando médiuns de outros graus são chamados a exercê-la.

Como entender as permissões de cada grau

A atuação do médium deve considerar seu grau, seu preparo e a orientação recebida para cada trabalho. Para compreender os limites de cada etapa, é importante distinguir:

  • Auxiliar: participar em apoio a quem está responsável pela atividade.
  • Atuar sob orientação: realizar uma atividade com acompanhamento e dentro das instruções recebidas.
  • Atuar com autorização: receber permissão para determinada atividade, respeitando o alcance dessa permissão.
  • Conduzir: assumir a responsabilidade pela organização e pelo andamento de um trabalho, quando essa função lhe for atribuída.

Uma autorização específica não deve ser entendida como liberação permanente para qualquer trabalho. Quando houver dúvida, o médium deve procurar a direção antes de agir.

1. Melich — Ajudante ou Auxiliar

Cor: branco

Melich é a etapa de acolhimento e construção das bases do desenvolvimento. O médium começa a conhecer a rotina do terreiro, aprende a auxiliar como cambone e desenvolve sua sensibilidade mediúnica, ainda sem conseguir manter a incorporação.

Pode fazer:

  • Auxiliar como cambone, conforme as orientações recebidas.
  • Participar das atividades de desenvolvimento destinadas à sua etapa.
  • Apoiar a organização e as necessidades dos trabalhos, quando solicitado.

Limites de atuação:

Nesta etapa, não está autorizado a realizar passes, descarregos ou consultas por conta própria, nem a conduzir a incorporação de outros médiuns. Sua participação acontece como aprendiz e auxiliar.

O que precisa desenvolver para avançar a Kalinata:

Participar ativamente como cambone, mantendo a atenção nos trabalhos e buscando compreender o que está sendo realizado.

Nos momentos destinados ao seu desenvolvimento, deve buscar a incorporação e trabalhar sua permanência pelo maior tempo que conseguir sustentar com equilíbrio, sob orientação e respeitando seus limites. O objetivo é permitir que corpo e mente se acostumem progressivamente à experiência.

A prioridade dessa etapa é construir atenção, participação e familiaridade com a incorporação, junto ao cuidado com o próprio equilíbrio.

2. Kalinata — Operário

Cor: amarelo

Kalinata é a etapa em que o médium trabalha para alcançar maior estabilidade na incorporação. Sua experiência ainda precisa de acompanhamento, enquanto continua colaborando como cambone sempre que necessário.

Pode fazer:

  • Participar das práticas de incorporação sob acompanhamento.
  • Trabalhar a sintonia e a estabilidade com seus guias nas atividades orientadas.
  • Auxiliar como cambone e colaborar com a rotina da gira.

Limites de atuação:

Começar a incorporar não significa estar liberado para atender consulentes. Nesse grau, o médium ainda não assume consultas, passes ou descarregos de maneira independente, nem conduz o desenvolvimento de outras pessoas.

O que precisa desenvolver para avançar a Ratói:

Continuar participando ativamente como cambone, com atenção aos trabalhos, e desenvolver uma incorporação estável, sem passar mal ou cair.

Também precisa trabalhar a confiança na própria incorporação e fortalecer a confiança e a fé nos guias. As dificuldades devem ser levadas aos responsáveis pelo desenvolvimento para que possam ser acompanhadas.

A prioridade dessa etapa é alcançar estabilidade na incorporação e construir confiança, mantendo o trabalho de equilíbrio pessoal.

3. Ratói — Sabedor

Cor: laranja

No grau Ratói, o médium já consegue manter a incorporação de forma estável e passa a colaborar mais diretamente com determinadas atividades espirituais, sempre sob orientação.

Pode fazer:

  • Auxiliar em descarregos, passes e consultas, sempre sob orientação.
  • Apoiar médiuns em desenvolvimento nas atividades indicadas pelos responsáveis.
  • Ampliar sua experiência de trabalho com os guias dentro dos limites estabelecidos.

Limites de atuação:

Auxiliar em uma consulta não equivale a estar autorizado a assumir um atendimento sozinho. Da mesma forma, apoiar outro médium não significa assumir a condução de sua incorporação ou de seu desenvolvimento.

O que precisa desenvolver para avançar a Manouch:

O trabalho central dessa passagem é o equilíbrio pessoal. O médium precisa identificar os próprios defeitos e dificuldades e se empenhar em trabalhá-los, especialmente a vaidade e as atitudes que prejudicam seu equilíbrio.

A etapa seguinte traz maior responsabilidade e exige preparo para lidar com a pressão que pode surgir durante as consultas. Por isso, é necessário amadurecer a maneira de reagir e manter a mente equilibrada diante das situações do atendimento.

Para essa passagem, os guias principais precisam ter riscado seus pontos de identificação e de trabalho. É também nessa passagem que se realiza o primeiro juramento aos pés de Ogum.

A prioridade dessa etapa é demonstrar amadurecimento pessoal e equilíbrio para assumir as responsabilidades das consultas, sem alimentar a vaidade.

4. Manouch — Feiticeiro

Cor: verde

No grau Manouch, o médium pode realizar passes voltados à descarga energética e ampliar sua colaboração no desenvolvimento mediúnico. As consultas dependem de autorização do Guia Chefe.

Pode fazer:

  • Realizar passes de descarga energética dentro da organização dos trabalhos.
  • Realizar consultas somente com autorização do Guia Chefe.
  • Auxiliar no desenvolvimento mediúnico, conforme a orientação da casa.

Limites de atuação:

A permissão para realizar passes não representa autorização automática para consultas. O médium também não deve ampliar por iniciativa própria o alcance dos trabalhos ou assumir atividades que não lhe foram atribuídas.

O que precisa desenvolver para avançar a Pury Day:

Os requisitos de equilíbrio, autoconhecimento e responsabilidade da passagem anterior continuam valendo, agora com maior rigor.

O médium deve aprofundar o trabalho sobre os próprios defeitos, a vaidade e suas reações diante da pressão dos atendimentos. O equilíbrio precisa aparecer de maneira consistente na prática, nas relações e no cumprimento de suas responsabilidades.

Os requisitos relativos aos pontos de identificação e de trabalho dos guias principais permanecem como parte dessa preparação. Nessa passagem, realiza-se mais um juramento.

A prioridade dessa etapa é consolidar o equilíbrio e a maturidade necessários para assumir consultas com maior responsabilidade.

5. Pury Day — Chanceler

Cor: azul

Pury Day é o grau em que o médium está apto a realizar consultas espirituais. Já possui conhecimento dos guias e dos pontos riscados, assumindo maior responsabilidade nos atendimentos.

Pode fazer:

  • Realizar consultas espirituais nos trabalhos da TUCS.
  • Auxiliar no desenvolvimento de outros médiuns.
  • Colaborar com os responsáveis pela condução das atividades, conforme as atribuições recebidas.

Limites de atuação:

A aptidão para consultas não atribui automaticamente a função de dirigente. Questões que ultrapassem seu conhecimento ou sua responsabilidade devem ser encaminhadas à direção.

O que precisa desenvolver para avançar a Seráno:

Participar ativamente das atividades e dos momentos importantes do terreiro, apoiando os dirigentes e demonstrando compromisso com as necessidades da casa.

Essa preparação envolve ampliar sua participação no cuidado com o coletivo, acompanhando as responsabilidades que sustentam os trabalhos. O equilíbrio espiritual e o desenvolvimento pessoal devem continuar sendo trabalhados.

A prioridade dessa etapa é demonstrar presença, empenho e capacidade de apoiar a direção, preparando-se para assumir responsabilidades com o conjunto do terreiro.

6. Seráno — Médium Dirigente

Cor: marrom

Seráno é o grau dedicado à participação na direção do terreiro. O médium passa a colaborar mais diretamente na condução dos trabalhos e nas necessidades coletivas da casa.

Também atua na mediação de conflitos internos e externos relacionados ao terreiro, dentro das responsabilidades que lhe forem confiadas.

Pode fazer:

  • Auxiliar na direção do terreiro e na condução dos trabalhos.
  • Realizar atendimentos e consultas.
  • Realizar trabalhos destinados ao terreiro, aos filhos da casa e à assistência, conforme a condução estabelecida.
  • Mediar conflitos e colaborar na busca de soluções.
  • Apoiar os demais médiuns no cumprimento de suas atribuições.

Limites de atuação:

A função de dirigente deve ser exercida em alinhamento com a liderança da casa. Esse grau, por si só, não corresponde à coroação sacerdotal nem autoriza a assumir atribuições de Pai ou Mãe de Santo.

O que precisa desenvolver para avançar a Shuvani:

O requisito principal dessa passagem é ser coroado.

O médium também precisa estar ajudando ativamente nos trabalhos, mantendo seu compromisso com a casa e com as responsabilidades que já assumiu. Deve continuar trabalhando o equilíbrio espiritual e pessoal ao longo dessa preparação.

A prioridade dessa etapa é manter a participação efetiva e o equilíbrio no exercício da direção, tendo a coroação como requisito principal para a passagem ao grau sacerdotal.

7. Shuvani — Sacerdote / Pai ou Mãe Pequeno(a)

Cor: vermelho

Shuvani é o médium coroado, reconhecido como Pai Pequeno ou Mãe Pequena, com capacidade de auxiliar na condução da gira e assumir sua condução quando solicitado e autorizado pela Mãe da casa.

Sua responsabilidade envolve o cuidado com os trabalhos, a orientação dos filhos e o apoio à liderança espiritual do terreiro.

Pode fazer:

  • Auxiliar na condução das giras.
  • Quando solicitado, conduzir a gira e outros trabalhos, conforme a necessidade e mediante autorização da Mãe da casa.
  • Exercer as funções sacerdotais que lhe forem atribuídas.
  • Apoiar a Mãe da casa na orientação dos médiuns e nos trabalhos do terreiro.
  • Colaborar com a formação e o acompanhamento do corpo mediúnico.

Limites de atuação:

A atuação sacerdotal deve respeitar as responsabilidades estabelecidas pela casa. A permissão para conduzir uma gira ou outro trabalho está vinculada à solicitação e à autorização da Mãe da casa, respeitando o que foi definido para aquela atividade.

O grau de Shuvani não se confunde com o de Babá nem representa, por si só, autorização para abrir um terreiro.

O que precisa desenvolver para avançar a Babá:

Estar disposto a abrir e guiar o próprio terreiro, assumindo o compromisso de cuidar de uma casa e das pessoas que farão parte dela.

Essa disposição deve ser compreendida à luz das responsabilidades de um Pai ou de uma Mãe de Santo. Ao longo desse caminho, permanecem a avaliação da participação, do empenho e do equilíbrio pessoal e espiritual, presentes em todos os graus.

A prioridade dessa passagem é a disposição para assumir a missão de abrir e conduzir o próprio terreiro, com o reconhecimento da direção da casa.

8. Babá — Pai ou Mãe de Santo

Cor: azul-claro

Babá corresponde ao grau de Pai ou Mãe de Santo, a etapa de maior responsabilidade dentro da estrutura de desenvolvimento da TUCS.

É o grau que reconhece a capacidade de conduzir trabalhos e abrir o próprio terreiro, assumindo as responsabilidades espirituais e de organização envolvidas nessa missão.

Pode fazer:

  • Conduzir os trabalhos e orientar o desenvolvimento mediúnico.
  • Assumir a direção espiritual de um terreiro.
  • Formar e acompanhar o corpo mediúnico.
  • Abrir seu próprio terreiro, conforme os fundamentos e o reconhecimento dessa etapa.

Responsabilidade de atuação:

Conduzir uma casa exige cuidado contínuo com as pessoas, com os fundamentos e com as decisões que afetam toda a comunidade.

O que precisa continuar desenvolvendo:

Embora não exista outro grau acima de Babá nessa estrutura, o desenvolvimento pessoal e espiritual continua.

O Pai ou a Mãe de Santo deve seguir trabalhando o próprio equilíbrio, reconhecendo suas dificuldades e amadurecendo a maneira de orientar e conduzir. A responsabilidade de acompanhar outras pessoas torna ainda mais importante o cuidado com as próprias atitudes.

A prioridade dessa etapa é sustentar a condução do terreiro com equilíbrio, responsabilidade e compromisso permanente com o próprio aprendizado.

Como acontece a passagem de grau?

A passagem de grau reconhece o preparo do médium para assumir novas responsabilidades. O tempo de participação faz parte da caminhada, mas precisa ser considerado junto à prática, à postura e à evolução de cada filho.

A direção acompanha tanto os critérios específicos de cada passagem quanto as atitudes do dia a dia: a participação nas giras, o empenho nos trabalhos fora delas, a colaboração nos dias de função, a atenção no desenvolvimento mediúnico e o amadurecimento pessoal.

Os juramentos e a coroação integram as passagens indicadas e devem ser compreendidos junto ao compromisso que representam.

A mudança de grau precisa ser reconhecida pela direção da casa. O médium não se atribui um novo grau nem amplia suas permissões por iniciativa própria.

Cada pessoa tem seu ritmo. O objetivo é construir as condições para assumir a próxima responsabilidade com equilíbrio e preparo.

Um compromisso que acompanha toda a caminhada

Independentemente do grau, todo médium deve conhecer suas atribuições, respeitar a orientação dos trabalhos e pedir ajuda quando necessário.

As confidências recebidas nos atendimentos devem ser tratadas com discrição. Dificuldades e conflitos devem ser encaminhados com respeito. O grau ocupado nunca deve ser usado para constranger, humilhar ou diminuir alguém.

O compromisso com o terreiro aparece na gira, no atendimento, na limpeza, na organização, no desenvolvimento e na disponibilidade para colaborar com as funções assumidas. Também aparece na forma como o filho trabalha seu equilíbrio e conduz suas relações fora da casa.

Na TUCS, cada etapa deve ajudar o médium a compreender melhor o que ainda precisa aprender e transformar em si. Quanto maior a responsabilidade assumida, maior deve ser o cuidado com as próprias atitudes e com as pessoas que caminham ao seu lado.