Congá iluminado com flores brancas, folhas verdes, uma vela e pessoas reunidas em um terreiro

O que é Umbanda e quais são seus princípios fundamentais?

A Umbanda é uma religião brasileira que reúne fé em Deus, culto aos Orixás, atuação dos guias espirituais e prática da caridade. Em seus terreiros, a espiritualidade é vivida por meio da oração, dos cantos, da mediunidade, dos passes, das orientações e do cuidado com o próximo.

Embora existam diferentes vertentes e formas de organizar seus fundamentos, este artigo apresenta a visão da Umbanda Sagrada, linha seguida pela Tenda de Umbanda Cigana Sarita (TUCS) e associada aos ensinamentos sistematizados por Rubens Saraceni.

Uma religião brasileira e plural

A Umbanda se desenvolveu no Brasil e carrega influências de diferentes matrizes religiosas e culturais. Elementos africanos, indígenas, cristãos e espiritualistas passaram a conviver em uma religião com identidade própria.

Essa diversidade ajuda a explicar por que dois terreiros podem trabalhar de maneiras diferentes e, ainda assim, reconhecer-se como casas de Umbanda. Podem mudar os cantos, as roupas, a organização da gira, os nomes dados a certos fundamentos e a forma de compreender as linhas espirituais.

Por isso, conhecer uma casa também significa conhecer seus fundamentos. Na TUCS, seguimos a Umbanda Sagrada e respeitamos as demais formas responsáveis de vivenciar a religião.

A fé em Deus e nos Orixás

Na Umbanda Sagrada, Deus é o princípio criador de tudo e de todos. Os Orixás são compreendidos como divindades de Deus, irradiadoras de qualidades divinas que sustentam a vida, a criação e a evolução dos seres.

Não se trata de reduzir os Orixás a personagens ou deuses separados do Criador. Eles manifestam mistérios, forças e qualidades divinas, como fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração.

A relação com os Orixás é cultivada com respeito, oração, responsabilidade e orientação adequada. Firmezas, oferendas e outros procedimentos não devem ser improvisados ou realizados apenas porque alguém viu uma receita na internet. Cada prática precisa ter propósito, fundamento e acompanhamento responsável.

Guias espirituais e linhas de trabalho

Os guias espirituais são espíritos que trabalham nas linhas da Umbanda, auxiliando encarnados e desencarnados. Eles podem se apresentar como caboclos, pretos-velhos, Erês, baianos, boiadeiros, marinheiros, ciganos, malandros, Exus, Pombagiras e em outras linhas reconhecidas pela casa.

Essas formas de apresentação não devem ser tratadas como fantasias. Elas expressam campos de trabalho, qualidades, conhecimentos e maneiras de aproximar o ensinamento espiritual da realidade humana.

Durante uma gira, os guias podem orientar, aplicar passes, trabalhar energias, ajudar no esclarecimento de dificuldades e contribuir para o reequilíbrio espiritual. Isso não significa adivinhar o futuro ou resolver todos os problemas de uma pessoa. O atendimento espiritual busca oferecer amparo e direção, preservando o livre-arbítrio e a responsabilidade de cada um.

A caridade como princípio

A caridade é um dos fundamentos centrais da Umbanda. Ela aparece no acolhimento, na escuta, no passe, na orientação e no trabalho espiritual realizado sem exploração da dor ou da fé de quem procura ajuda.

Caridade, porém, não é apenas oferecer atendimento. Também envolve disciplina, honestidade, respeito, humildade e compromisso. O médium pratica a caridade quando se prepara para servir com equilíbrio. O cambone pratica a caridade quando acolhe e auxilia o trabalho. O ogã pratica a caridade ao sustentar a corrente por meio do toque e dos pontos. A assistência também participa quando respeita o espaço, as orientações e as pessoas presentes.

Uma casa responsável não promete milagres, não usa medo para controlar pessoas e não transforma sofrimento em oportunidade de exploração.

Mediunidade com desenvolvimento e responsabilidade

A mediunidade é uma das formas pelas quais acontece a comunicação e a interação entre o plano material e o espiritual. Na Umbanda, ela pode se manifestar de diferentes maneiras, incluindo incorporação, intuição, percepção energética, inspiração e outras faculdades.

Ter sensibilidade não significa que toda emoção, sonho, mal-estar ou dificuldade seja causada pela mediunidade. O desenvolvimento mediúnico exige tempo, estudo, acompanhamento, equilíbrio emocional e participação responsável na corrente da casa.

Também é importante reconhecer limites. Atendimento espiritual não substitui acompanhamento médico, psicológico ou psiquiátrico. A espiritualidade pode caminhar ao lado dos cuidados profissionais, sem criar conflito entre eles.

Comunidade, disciplina e cuidado

O terreiro é um espaço sagrado, mas também é uma comunidade. Seu funcionamento depende do compromisso de dirigentes, médiuns, cambones, ogãs, trabalhadores e frequentadores.

A disciplina não deve ser confundida com autoritarismo. Ela organiza o trabalho, protege a corrente e ajuda cada pessoa a compreender seu papel. Horários, roupas, silêncio, preparo, estudo e cuidado com os espaços possuem sentido quando contribuem para o equilíbrio coletivo.

Da mesma forma, respeito à hierarquia não elimina o direito de perguntar, compreender e reconhecer situações inadequadas. Uma casa saudável deve unir fundamento, responsabilidade e acolhimento.

O que esperar ao conhecer a Umbanda

Quem visita um terreiro pela primeira vez não precisa conhecer todos os termos ou rituais. É suficiente chegar com respeito, observar as orientações da casa e permitir-se conhecer o trabalho com tranquilidade.

Na assistência, você poderá acompanhar os pontos cantados, as orações e os trabalhos realizados. Dependendo da gira, poderá receber um passe ou conversar com um guia. Não é necessário sentir algo extraordinário para que a experiência tenha valor.

Cada pessoa possui seu tempo. A Umbanda não deve ser apresentada como um caminho de medo ou obrigação, mas como uma vivência de fé, aprendizado, responsabilidade e serviço ao próximo.

Em resumo

Na visão da Umbanda Sagrada praticada pela TUCS, alguns princípios fundamentais são:

  • fé em Deus e respeito aos Orixás;
  • caridade sem exploração;
  • atuação responsável dos guias espirituais;
  • desenvolvimento consciente da mediunidade;
  • respeito ao livre-arbítrio;
  • disciplina, estudo e compromisso com a comunidade;
  • cuidado espiritual sem abandonar os cuidados médicos e psicológicos;
  • respeito às diferentes vertentes da Umbanda.

Conhecer a Umbanda é um processo. Quanto mais aprendemos sobre seus fundamentos, mais compreendemos que espiritualidade também exige responsabilidade, equilíbrio e disposição para servir.

Para conhecer a TUCS

A Tenda de Umbanda Cigana Sarita busca acolher, orientar e trabalhar a espiritualidade dentro dos fundamentos da Umbanda Sagrada. Acompanhe nossas publicações para conhecer melhor os Orixás, as linhas de trabalho, a mediunidade e o funcionamento de um terreiro.

Fontes consultadas

  • SARACENI, Rubens. Doutrina e Teologia de Umbanda Sagrada. Madras.